História de Beata Alexandrina Maria da Costa
Infância e primeiros anos
Alexandrina Maria da Costa nasceu em 30 de março de 1904, na freguesia de Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, região do Porto, Portugal. Filha de António Augusto da Costa e de Maria Ana Vaz de Miranda, cresceu num lar simples, marcado pelo trabalho agrícola, pela fé recitada em família e pela devoção à Santíssima Virgem. Frequentou a escola apenas nos primeiros anos, mas recebeu, desde cedo, uma formação cristã sólida, feita de catecismo, oração e confiança na providência. Era de temperamento alegre, pronta a ajudar a mãe nos serviços da casa e do campo, e gostava de cantar e de conviver com as crianças vizinhas.
O acontecimento decisivo
Em 1918, quando contava catorze anos, um episódio dramático alterou para sempre o curso de sua vida. Enquanto cosia em casa com a irmã Deolinda e uma amiga, três indivíduos forçaram a entrada na residência. Para preservar a sua pureza, Alexandrina lançou-se pela janela, de uma altura aproximada de quatro metros. As lesões na coluna foram graves. Durante algum tempo ainda conseguiu movimentar-se com dificuldade, mas as dores eram intensas e persistentes. Em 1925, após anos de agravos e tratamentos infrutíferos, ficou completamente paralisada da cintura para baixo. A jovem, outrora ativa, viu-se confinada ao leito; ali, porém, pela graça, amadureceu uma vocação de inteira oblação a Cristo.
Entrega total a Cristo
Diante do sofrimento, não se entregou à amargura. Pelo contrário, discerniu na sua condição a chamada de Deus a uma vida de reparação. Ofereceu-se pela conversão dos pecadores, pela santificação dos sacerdotes e pela pureza dos costumes. Transformou o quarto em oratório: crucifixo, terço, pequena lâmpada acesa, e o silêncio que favorece a contemplação. A Missa, quando possível, era acompanhada com intensa união de espírito; a comunhão eucarística tornava-se o alimento da alma e a força para suportar as provações diárias.
Experiências místicas
A partir de 1938, Alexandrina passou a reviver, sobretudo às sextas-feiras, as dores da Paixão do Senhor. Eram padecimentos reais, acompanhados de grande exaustão, mas acolhidos com serenidade e reverência. Não buscava notoriedade nem prodígios: obedecia aos diretores espirituais e submetia-se à Igreja, entendendo tais graças como convite à penitência e intercessão por muitos.
Alimentada unicamente da Eucaristia
Entre 1942 e 1955, por treze anos e meio, não ingeriu outro alimento além da Sagrada Comunhão. Médicos e testemunhas acompanharam o fenômeno; não se encontrou explicação natural que justificasse a manutenção das forças vitais apenas com a Eucaristia. Este fato, longe de ser exibido, foi vivido como sinal do primado de Cristo na sua existência e como apelo para que os fiéis reconhecessem, com fé humilde, a presença real do Senhor no Sacramento do altar.
Direção espiritual e missão reparadora
Alexandrina foi dirigida, primeiro, pelo padre Mariano Pinho, da Companhia de Jesus, e, posteriormente, pelo padre Humberto Pasquale, salesiano. Ambos a conduziram com prudência e firmeza, pedindo-lhe obediência e discrição. Sob essa orientação, compreendeu mais profundamente a sua missão de "vítima de amor": reparar as ofensas feitas ao Coração de Jesus e implorar misericórdia pelos pecadores, sempre em união com o Imaculado Coração de Maria. Por intermédio de seus diretores, elevou ao Papa Pio XII súplicas pela consagração do mundo ao Imaculado Coração, ato que o Santo Padre realizou em 1942. Em tudo, Alexandrina guardou atitude filial para com a Igreja, que reconhece, discerne e autentica os dons extraordinários.
Últimos anos e falecimento
Nos derradeiros anos, as dores físicas intensificaram-se. Apesar disso, a doente conservava palavra de ânimo para quem a visitava. Repetia, com convicção: "Sou de Jesus; tudo por Ele." No dia 13 de outubro de 1955 - data associada, na memória dos fiéis, à última aparição de Nossa Senhora em Fátima (13 de outubro de 1917) - entregou serenamente a alma a Deus, com 51 anos de idade. Foi sepultada no cemitério paroquial e, mais tarde, transladada para a igreja de Balasar, onde a piedade popular se reuniu em oração e ação de graças.
Processo e beatificação
A fama de santidade difundiu-se rapidamente. Em 1973, iniciou-se o processo diocesano. Em 1996, São João Paulo II reconheceu as virtudes heroicas de Alexandrina, conferindo-lhe o título de Venerável. No dia 25 de abril de 2004, na Praça de São Pedro, o mesmo Pontífice procedeu à sua beatificação, apresentando-a à Igreja como testemunha eminente do primado da Eucaristia, da reparação e da esperança cristã no sofrimento.
Mensagem espiritual
A vida da Beata Alexandrina concentra-se em três eixos, que iluminam a espiritualidade dos fiéis:
- Primazia da Eucaristia - Viver de Cristo e para Cristo; reconhecer no Sacramento o alimento que fortalece, consola e santifica. A sua inédia eucarística, cuidadosamente acompanhada, foi sinal pedagógico para um tempo tentado a negligenciar o culto devido ao Santíssimo.
- Reparação e intercessão - Oferecer, com amor, dores e limitações pela conversão dos pecadores e pelo incremento da santidade sacerdotal. Alexandrina ensina a unir a própria cruz à do Senhor, dando sentido redentor às provações.
- Consagração mariana - Caminhar sob a guia do Imaculado Coração de Maria, Mãe dolorosa e medianeira solícita. Sua vida confirma o apelo mariano à penitência e à oração, tão caro à tradição portuguesa e às mensagens de Fátima.
Representação e culto
Iconograficamente, a Beata costuma ser representada no leito, com o rosário entre os dedos e o olhar fixo no crucifixo, ou diante do ostensório, sublinhando a sua íntima união com o Senhor eucarístico. A devoção é particularmente viva em Balasar, onde acorrem peregrinos em busca de paz e de fortalecimento espiritual. Doentes e pessoas acamadas invocam-na como intercessora fiel para suportar, com fé e mansidão, o peso das dores de cada dia.
Atualidade do testemunho
Num mundo que exalta a eficácia e despreza a fragilidade, Alexandrina ergue a bandeira do amor paciente. Ensina que a verdadeira fecundidade da Igreja brota do altar e da cruz; que a santidade não se mede por sucessos visíveis, mas pela fidelidade cotidiana; e que a vida escondida, oferecida em caridade reparadora, sustenta silenciosamente muitos. Em linguagem simples e firme, repete a todos: a dor, quando abraçada com Cristo, torna-se lugar de salvação.
Oração à Beata Alexandrina Maria da Costa
"Senhor Jesus Cristo, que associastes a vossa serva Alexandrina à vossa Paixão e a alimentastes com o pão vivo descido do céu, concedei-nos, por sua intercessão, amor ardente à Eucaristia, espírito de reparação e fidelidade à Santa Igreja. Fortalecei os doentes e atribulados, para que unam suas dores ao vosso sacrifício redentor. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém."